quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Milagre de Berna

Olá, recentemente no curso de capacitação que estou fazendo assistimos ao filme "O Milagre de Berna", baseado nele, a professora pediu para escrevermos uma narrativa. O filme é maravilhoso, adorei, até porque quando assisti estavamos bem perto da final da Copa e a Alemanha se encaminhava para a final. Não é à toa que torci muito pela Alemanha. Infelizmente, deu Espanha.

Mas vamos ao texto. Aí está a minha narrativa. Foi difícil pra mim, mas consegui escrever a tal narrativa e gostei muito do resultado!!!

Obs.: Fiz a narrativa baseada na mãe.


O Milagre de Berna

Ele realmente já não era mais o mesmo, depois que retornou do conflito, as lembranças o atormentavam, as experiências que passou pesavam muito sobre o seu lado psicológico. Frio, fome, medo, perigo entre outras sensações que experimentou durante a longa prisão, fizeram de seu coração um iceberg, Talvez a liberdade que lhe foi dada tenha sido a mesma coisa que lhe tirar a vida com um simples disparo de metralhadora. A segunda hipótese certamente seria mais fácil de ser vivida para ele. O choque com o novo mundo, evoluído, liberto do estigma do nazismo era um castigo ainda maior.

Ele já não me reconhecia mais, confundiu-me com nossa filha. Bruno o afrontava, ele também sofreu muito com o acontecido, assumiu a responsabilidade por nossa família, já não sentia a falta do pai. Richard chocou-se quando lhe disse que ele tinha mais um filho. Matthias era um menino simples, de bom coração e era um sonhador, expressava isso através do futebol. Ele ajudava seu amigo Rahn, jogador profissional, a levar as malas. Hoje percebo que meu filho refletia todo o estado de espírito do nosso povo traumatizado pelos horrores da segunda grande guerra.

Seu retorno foi muito difícil, ele não conseguiu se adaptar, havia um bloqueio em relacionar-se com nossos filhos. Comigo também acontecia a mesma coisa. A cada dia ele tornava-se mais agressivo. Minha angustia aumentava. Para mim também era difícil, embora o amasse e tivesse saudades, já havia construído uma rotina sem ele. Nossos filhos me ajudavam no bar e tudo era harmônico em nossa convivência. Agora eu me deparava com a minha família dissolvendo-se.

Era tempo de Copa do Mundo, Matthias estava eufórico com a possibilidade de assistir aos jogos na televisão. Não poderia deixar de assistir seu amigo Rahn defender nosso país. Para ele, e acredito que para todos os alemães, o futebol tornou-se naquele momento a esperança para a nossa pátria.

Richard sabia que as coisas não iam bem, o peso das lembranças de prisioneiro o atormentava, mas ele sabia que deveria mudar, assim como mudaram sua vida neste injusto conflito. Resolveu ir até a igreja orar, lá recebeu o alento do padre. Ali nascia um verdadeiro milagre, para a nossa família, para a seleção alemã e para o povo alemão.

O cinza daquele pós-guerra já não era tão cinza. Os dias foram ficando mais fáceis de serem vividos. Aos poucos nossa convivência foi melhorando. Passamos a compreendê-lo melhor. E ele ficou mais calmo, talvez estivesse fazendo a digestão de tudo o que passou durante o longo pesadelo da guerra. Sorriu pela primeira vez no campinho, brincando sozinho com a bola que havia presenteado nosso filho. Estava reaprendendo a viver.

A final da Copa apontava os alemães e os húngaros. A possibilidade de Rahn jogar inspirava e preocupava Matthias. Ele acreditava que Rahn só vencia jogos importantes com a presença dele. Isto estava o angustiando. Richard pegou o carro emprestado do padre e partiu junto com Matthias para Berna. Ele entendeu a aflição do nosso filho e resolveu mostrar de uma vez por todas que poderia ser um bom pai e fazer toda a diferença, naquela final da Copa. A viagem foi agradável, embora cansativa, pai e filho estavam enfim se conhecendo e se amando.

Foi a virada na vida da minha família. Já a virada no jogo aconteceu quando Matthias entrou no estádio de Berna e Rahn o enxergou. Rahn encheu-se de esperança chutou e marcou o gol que antecipava a vitória alemã.

O reencontro de Matthias com Rahn e o pai, no trem, no retorno para a casa, fez nosso filho entender o verdadeiro sentido de tudo, ele percebeu o milagre que trouxe o pai novamente ao convívio da família. Richard também viu que sua ação tinha gerado um verdadeiro milagre, encontrou o recomeço, assim como nossa família e toda a Alemanha.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O início da Copa do Mundo 2014

Não sei se as pessoas sabem que antes de ser jornalista eu já era publicitária, mas tenho certeza q a maioria não sabe que antes de ser publicitária, bem antes mesmo, aproximadamente oito anos antes, eu já era desenhista industrial, hoje a denominação é designer. Trabalhei cerca de 13 anos diretamente com design em gráficas, editoras e afins...


Desenvolvi muitas marcas, logomarcas e logotipos, até perdi as contas, acredito que bem mais de 100. Talvez um dia eu tente contar no meu arquivo morto. Ganhei muitos prêmios, inclusive, com a criação de logos. Não estou aqui querendo me promover ou aparecer. Minha intenção é mostrar para vocês que eu tenho um mínimo de base para sustentar as críticas que farei aqui.

Então, vamos aos fatos. E o fato é que hoje quando cheguei na Assessoria e fui buscar os acontecimentos do dia (sempre faço a minha atualização sobre os acontecimentos do mundo quando chego na Assessoria), me deparei com o tal lançamento do logo da Copa 2014. Que susto! O que é aquilo?

Aí eu perguntei? Será que não avisaram a Fifa que no Brasil existem designers e publicitários de peso?

Acho que meu filho faria uma coisa muito melhor... Não é para tanto, meu filho tem apenas dois anos. Mas sei que com dois ou três telefonemas para alguns amigos que trabalham na área, arrumo um logo muito melhor e não precisa prazo muito longo não. É só brifar direitinho qualquer um deles e tenho certeza que sairiam ideias muito mais criativas.

Quando vi a tal logo, resolvi me aprofundar no assunto... E logo achei a opinião do Wollner, aquele cara que fez a logo do Itaú, Hering entre outras, e concordei com algumas coisas que ele declarou. Uma delas é “Não é uma marca, é uma ilustração de um artigo - A vergonha do Brasil”.

Logo encontrei o tal Júri que escolheu a logomarca (o site descrevia como “júri de notáveis”): Nada mais nada menos que Ricardo Teixeira, o arquiteto Oscar Niemeyer, o designer Hans Donner, o escritor Paulo Coelho, a cantora Ivete Sangalo e a modelo Gisele Bündchen. Não quero aqui diminuir o trabalho de ninguém, acho que todos conseguiram destaque no que fazem e alguns realmente são bons nisso.

Aí eu perguntei: Será que não avisaram a Fifa que Ivete Sangalo entende é de música? E que Bündchen entende é de passarela? Que Niemeyer apesar de ser um gênio entende é de concreto? E que Hans Donner apesar de ser designer entende mesmo é de Globeleza?

E o que falar de Ricardo Teixeira? Não soube escolher nem o técnico da seleção, imagina escolher logomarca...

Brincadeiras a parte, fica a indignação de apresentarem uma logo tão primitiva para um evento que colocará o Brasil na vitrine do mundo... Uma logo que já virou piada relacionada com Chico Xavier psicografando, com uma pessoa envergonhada, com mão na bola que é falta e até com três mãos tentando roubar (sem falar que uma só tem quatro dedos), uiii, doeu né? Nem vou comentar o tal do vermelho no meio da logo... deixa assim...

Só torço que esta logo não represente o início de uma Copa decepcionante... chega por aqui... já to “me passando”...  deixo aqui algumas imagens que estão circulando pela internet. Fui!