segunda-feira, 7 de junho de 2010

Não sou megastar

escrita em 26 de maio

Hj fui em uma loja aqui em Pel, meu objetivo era comprar algumas blusinhas de manga longa. Para variar, fui olhando “unas cositas más”, só pra variar um pouco mesmo. Como sou louca por artigos esportivos, fui parar no respectivo departamento rapidinho...

Eis que uma atendente, muito atenciosa, diga-se de passagem, veio me dar uma atenção. Encontrei uns casaquinhos de lã do Grêmio, lindos, ela logo brincou que eram feios, que tinham outros (do inter) que eram mais bonitos. Adorei-a, mesmo sendo colorada, nada como uma vendedora gente boa, com bom humor, ganha o cliente na hora!

Assim acontece com todas as profissões. Há algumas semanas fui jantar no Cruz da Avenida com um amigo, lá tem um garçom muito gente boa. Pedimos Bacalhau à Gomes de Sá, maravilhoso, recomendo! Um vinho e uma água mineral! Primeiro ele perguntou se a água era com bolinhas ou sem bolinhas. Meu amigo, que não é daqui, não entendeu, expliquei o que significava e rimos muito! Depois ele ficava passando na mesa e dizendo que o “Seu Gomes” já tava vindo, entre outras brincadeiras. E nós ficamos conversando sobre como os profissionais ganham os clientes sendo agradáveis.

Bom, misturei os assuntos, mas vocês entenderão o pq. Acontece que durante a conversa com a vendedora eu falei que eu era enlouquecida por artigos esportivos do Pelotas e do Grêmio, mas que tinha muita coisa e não podia usar todos os dias por causa da minha profissão. Ela perguntou qual era a profissão e eu falei. Ela ficou encantada e disse assim: “Vou falar para minha mãe que atendi uma jornalista”. Achei muito engraçada a situação.

As pessoas têm uma visão hiper-mega-super glamourosa da profissão de jornalista. Infelizmente, tenho que desmentir esta visão e desmitificar a profissão. As coisas não são nem perto glamour. Antes de qualquer glamour vem muito trabalho, muito suor... O produto final do jornalista seja em forma de matéria escrita, seja em reportagem para TV ou Rádio é apenas a conseqüência de muito, mas muito trabalho mesmo.

Pegando o meu caso, que sou assessora de imprensa, até chegar ao produto final, em forma de release, que é oferecido aos veículos de comunicação, acontece muita coisa, é pesquisar fontes (e neste caso ajuda muito ter o bom humor da vendedora e do garçom, agradar é a alma do negócio!), pesquisar pautas, fazer entrevistas, fotografar, ir atrás de informação, escrever, corrigir... ufa! Haja fôlego. Claro que quando a nossa matéria vira capa de jornal, sai em página inteira, vira reportagem em tele-jornal... é muito gratificante, mas isso é apenas uma conseqüência do bom trabalho feito anteriormente.

Vocês podem estar pensando que eu acho que a profissão não tem glamour pq sou da imprensa escrita. Enganam-se, tenho vários amigos que trabalham em televisão, rádio... e todos trabalham demais. Pegamos o exemplo da TV, meu pai trabalhou na RBS durante 16 anos e trabalha na TV Nativa, há, no mínimo, seis anos. Sei bem os bastidores de TV, eu já trabalhei inclusive em duas emissoras. Não pensem que TV é glamour, pode até ser para apresentadores da Globo, artistas etc... Mas para jornalista, não é bem assim. Aparecer na telinha é só o final de um longo trabalho, de equipe, diga-se de passagem. É horas de busca de informação, de gravação, de decupagem, de criação de texto, de edição de imagens etc.

Jornalista acorda cedo, lê os jornais, se informa sobre tudo que acontece na cidade, no estado, no país e no mundo e já vai pra rua, suar em busca da notícia que tem que chegar até você o mais rápido possível.

Lembro da Paulinha Valdez falando justamente sobre isso, ela disse tudo isso que eu já disse e ainda completou: “E não pensem que eu sou reconhecida na rua.” Veja o post sobre a Paulinha aqui.
Então, caros leitores, ser jornalista não é ser megastar, ser jornalista é trabalhar muito, assim como a vendedora, atenciosa e extrovertida que me atendeu, assim como o garçom do Cruz de Malta, simpático e engraçado que serviu o “Seu Gomes”…

O importante é gostar do que se faz e dar o melhor de si. Só assim, seremos lembrados e teremos êxito e sucesso no que fizermos.

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